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Extracto de uma Grande entrevista na Revista Ideal

por idealrevista, em 18.02.13

Em situação de desgraça

Choro sem que me vejam

Afirma Joaquim Chissano

 

Em Moçambique e não só, Joaquim Chissano é a figura que emerge quando se fala de pessoas que resolveram abraçar desinteressadamente a carreira diplomática. Depois de ter governado o país, num período conturbado, ei-lo pelos corredores diplomáticos do mundo fora, sempre na perspectiva de que a harmonia e a concórdia, mantenham a sua chama acesa acima de qualquer adversidade. É pois, esta inquestionável figura que nos abriu as portas da sua intimidade para falar das suas crenças, da sua infância, da carreira política e dos sonhos que ainda irriga.

 

O Presidente Joaquim Chissano é do signo balanço e costuma-se relacionar pessoas deste signo como sendo tolerantes.... e isso se encaixa bem á sua figura?

Por tradição as mães ao desamamentarem suas crianças entregam-nas a avó e eu também passei por isso. Aos seis anos de idade a minha avó me matriculou na escola Missionária Santa Ana da Munhuana, na cidade de Maputo. Só que nesse mesmo ano, meu pai saiu de Malehice, província de Gaza, terra natal, para passar a trabalhar na cidade de Xai-Xai, capital desta província, dai que solicitou o meu regresso para casa, para ficar com a mãe. Uma vez que o pai tinha requerido o estatuto de assimilado, precisamente para facilitar a educação dos filhos nas escolas oficiais, onde o ensino era mais elevado e célere, em Malehice não fui para escola missionária. Nas escolas missionárias também havia qualidade, mas o aluno levavava muito tempo para concluir um nível. Na escola oficial levava-se quatro anos para concluir o ensino primário e na missionária seis. Em Malehice fiquei pouco tempo porque passei logo para Xai-Xai.

Então podemos concluir que estas movimentações não permitiram que o Presidente Chissano pastasse gado, como tem sido o normal dos meninos do campo?

Nem por isso. Quando atingi a idade certa para pastagem fi-lo. Tínhamos férias do natal, da Páscoa que eram passadas na terra natal, fazendo coisas típicas do campo. Os meus pais não tinham gado bovino, mas tinham caprino e ovelhas e outros animais de pequena espécie como galinhas, patos, coelhos, cães e burros.

O Presidente Chissano foi o primeiro negro a matricular-se no Liceu Salazar. Isso não o assustou?

Não porque tinha uma boa preparação. Na quarta classe tive um bom professor que por consciência era um português. Ele era ao mesmo tempo amigo do meu pai, por isso convivíamos com a família dele e amigos. Mas contou o facto de ter estado numa escola oficial onde a maior parte de estudantes eram da cor branca. O outro factor que jogou positivamente é que as crianças pouco ligam essas diferenças.

Lembra-se de ter sofrido situações de racismo?

Guardo comigo vários episódios que sofri em várias ocasiões. 

Quando é que o Presidente Chissano despertou interesse pela política?

Para isso não existe datas, nem motivos. É uma coisa que se constrói. É um processo.

 

Não sou tão inteligente

como as pessoas pensam

Porquê afirma que não é tão inteligente como se imagina?

Depois de concluir o liceu fui aliciado para trabalhar na administração, para exercer a função de chefe do posto e mais tarde passaria para o cargo de administrador, bastando para isso ir frequentar o curso de administrador em Portugal, mas não aceitei porque o meu objectivo era continuar com os estudos. Preparei-me para exames de admissão para o curso superior, mas não foi fácil porque não sou tão inteligente como as pessoas pensam, faço muito esforço para conseguir alcançar algumas coisas.

O senhor Presidente foi obrigado a interromper a formação superior para junto dos camaradas fundar a Frelimo. Pretende um dia continuar com os estudos?

Esse é um desejo que não se apaga. O que pode me dificultar são as tarefas que me são dadas que são de muita responsabilidade. Logo que deixei de ser Chefe de Estado, abracei outras missões, diferentemente do ex-presidente da Namibia, Sam Nujoma, que logo que saiu da presidência ficou quietinho no seu país e conseguiu tempo para continuar com os estudos. Eu não diria que vou continuar a estudar porque mesmo que voltasse á Universidade não iria seguir medicina, curso que interrompi, mas outras especialidades. Quando era Chefe de Estado cheguei a me matricular numa Universidade, não para obter diploma, mas para aumentar conhecimentos para resolver algumas situações. Devido a falta de tempo, não consegui e a equipa que havia sido montado para me preparar desfez-se. Mas felizmente tenho sabido conduzir da melhor forma as tarefas que me são incumbidas, como fruto do que aprendi nesta grande universidade que é a vida.

O Presidente Chissano é caracterizado como um homem calmo e humilde. É assim desde criança ou trata-se de uma personalidade que foi se construindo ao longo do tempo?

Não posso afirmar que sou calmo, mas durante a Luta de Libertação Nacional, por várias vezes, o falecido Presidente Samora Machel me incumbia a tarefa de comunicar aos camaradas ou famílias quando houvesse situações de desgraça. Eu era um dos poucos que conseguia me conter nessas situações. Na minha família quando há desgraças choro depois de toda gente chorar, muitas das vezes sem que alguém me veja, porque nesse momento me vejo com a obrigação de amparar a todos.      

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publicado às 15:02

SOBRE A EDITORA!

por idealrevista, em 04.01.13

 

Chamo-me Joana Macie, natural da cidade de Xai-Xai, província de Gaza, a sul de Moçambique. Sou jornalista de profissão desde 1994, primeiro trabalhei 10 anos na Agência de Informação de Moçambique (AIM) e estou a 9 anos no Jornal Noticias. Especializei-me na área política, mas nos últimos anos estou ligada a área  social, que é a minha grande paixão. Sou editora de uma revista, (REVISTA IDEAL), criada por mim, em 2010. É uma revista feminina que traz historias de vida, noticias e outras matérias.  A expectativa é que o blog me ajude a divulgar esta revista.

O blog nasceu para me ajudar a divulgar várias histórias que recolho em diferentes pontos do país por onde passo e também, para divulgar a minha opinião sobre diferentes matérias. O blog vai divulgar também histórias interessantes publicadas em outras publicações.

Espero divulgar neste blog fotos de diferentes eventos e promover alguns concursos sobre o "bem vestir", para incentivar o gosto pela boa roupa.

Espero que todos os visitantes gostem deste blog.

 

Joana Macie

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publicado às 16:48

CIDADE DE TETE, VENDA DE SEXO - DEGRADAÇÃO MORAL A OLHOS DE TODOS

por idealrevista, em 04.01.13

CIDADE DE TETE Degradação moral a olhos de todos Numa das minhas visitas de trabalho de reportagem, desta vez na cidade de Tete, centro de Mocambique, visitei o Mercado Kwatchena Kunhartanda, à procura das trabalhadoras de sexo zimbabweanas, com as quais havia agendado no dia anterior uma entrevista sobre a sua actividade. Enquanto vasculhávamos os “becos” do mercado, (eu e o repórter fotográfico) ouvia-se nas proximidades uma voz masculina que num tom alto convidava uma das jovens zimbabweanas para o interior da casa para cumprir mais uma jornada. Naquele lugar instalou-se uma pequena confusão, porque a jovem tentava explicar sem sucessos que não podia satisfazer a solicitação do seu cliente, pelo menos naquele instante, porque estava à espera de uma visita para a entrevista (referia-se a nós). “Judith, quero agora porque vou te pagar”. É assim que a nossa equipa de Reportagem se apercebeu que estava perante “um mundo, onde não há mais moralidade. Aliás, este tem sido o dia-a-dia da Judith Nkoma e suas companheiras, todas elas zimbabweanas, cujo número tende a crescer no nosso país, como consequência da crise económica que se vive no Zimbabwe, onde a economia é actualmente uma das mais devastadas do mundo, com uma situacao políotica nao definida e sem apoios externos. No Mercado Kwatchena Kunhartanda assiste-se a cenas indecentes, uma degradação moral a olhos de todos. Trata-se de um mercado localizado a escassos metros da cidade de Tete. É um local bastante frequentado pelos locais e hóspedes que ali procuram todo o tipo de produtos tipicos da regiao, incluindo carne e peixe. Também vende-se todo o tipo de bebidas alcoólicas, desde as convencionais até as caseiras. No interior do mercado estão instalados quartos improvisados cheirando a mofo. São quartos pequenos nos quais cabe apenas uma cama solteira. Por incrível que pareça dormem em cada quartinho cinco raparigas, incluindo trouxas de cada uma. Só naquele mercado estão acima de 100 trabalhadoras do sexo zimbabweanas, de idades que variam entre 16 e 40 anos. Kwatchena é um local frequentado também por crianças, algumas envolvidas na actividade comercial, sozinhas ou na companhia dos seus pais. Outras estão ali para se divertirem, uma vez que moram nos arredores do mercado. Estas crianças são forçadas a assistir a actos indecentes, praticados por homens e mulheres que ignoram apelos vindos de todos os cantos sobre o perigo que aquele tipo de actividade oferece, no que respeita à transmissão do HIV/SIDA. As principais artérias da cidade, mercados e barracas são outros lugares preferenciais das zimbabweanas que perfilam a partir das 16.00 horas até a madrugada do dia seguinte, à espera dos potenciais clientes. Em conversa com a nossa equipa de Reportagem, as trabalhadoras do sexo revelaram que optaram por Moçambique e em especial a cidade de Tete por ser um corredor de desenvolvimento, onde passam camiões para Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e para outros pontos do país. Também pesou para esta escolha, o facto desta cidade ser nos últimos dias centro de convergência de cidadãos de todos os pontos do país e de outras nacionalidades. Mas também a cidade ou a província de Tete tem estado a concentrar as atenções de todos nos últimos anos, devido a instalação das grandes indústrias mineiras, que concentram estrangeiros de diferentes nacionalidades. Judith, Joice, Jaqueline, Gina e Celina foram as nossas entrevistadas, que contaram naturalmente as suas experiências nesta actividade. Deste grupo algumas estão em Moçambique há 8 meses e outras há anos. Confidenciaram-nos que têm ido para casa pelo menos uma vez em cada mês, para deixar comida e dinheiro para os seus pais, filhos, avós e irmãos. Estas raparigas e senhoras contam que ganham por dia 300 a 500 meticais. Deste valor tiram diariamente 75 meticais para pagar o aluguer do quarto e outro valor que é destinado a despesas diárias pessoais. Revelaram que antes de vir a Moçambique tentaram se fixar no Malawi, mas desistiram quando uma das companheiras que já exercia a sua actividade na cidade de Tete lhes informou que “que cá há muito dinheiro. Malawi não tem negócio, basta dizer que ganhávamos por cada acto sexual 150 kwachas, o equivalente a 5 meticais”, explicaram, acrescentando que o outro motivo que lhes fez abandonar Malawi é que há muitos religiosos, indivíduos que estão contra este tipo de actividade. Este grupo nunca esteve na capital moçambicana e nem ambiciona lá estar. As razões por elas apresentadas residem no facto de Maputo se localizar muito distante da fronteira com o seu país. “Também sabemos que como capital há muita concorrência, enquanto que aqui na cidade de Tete temos muito espaço” . As entrevistadas contam que rezam noite e dia para que a situação económica e política caminhe para o melhor no seu país. “Estamos aqui feitas malucas porque o nosso país está a atravessar momentos difíceis, as pessoas não têm emprego e não têm comida”. Com quase um terço de adultos infectados pelo vírus da SIDA, os hospitais públicos esgotam muitas vezes as suas reservas de medicamentos básicos, como os analgésicos, por exemplo. Os meus pais não devem saber Joyce Kamwanda tem 25 anos de idade e é natural de Mutare, a quarta maior cidade do Zimbabwe. A sua história é bem diferente com a de Judith. Esta é filha de um casal religioso da congregação presbiteriana e confessa que os seus progenitores não sabem que ela está nesta actividade. “Os meus pais são pobres, mas com uma personalidade que admiro. Eles não podem saber que sou prostituta, pensam que estou a trabalhar numa loja. Se souberem disto me matam, será um escândalo na minha família”, adianta, revelando que na sua casa há muita pobreza, razão porque não conseguiu se formar. A história da Joyce não difere da de outras raparigas que também estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida, prostituindo-se. A jovem conta ainda que não faz sexo por prazer, apenas por dinheiro e confessa que no dia em que encontrar o amor da sua vida, com mínimas condições de vida não vai pensar duas vezes para largar esta actividade. Diz que apesar de pagarem bem, os homens moçambicanos são violentos e sujeitam as raparigas a vários tipos de sevícias e humilhações. Segundo explicou, os clientes fluem nas sextas e sábados. Contrariamente às suas companheiras que moram no Mercado Kwadjena, Joyce alugou uma dependência no centro da cidade de Tete, pagando por mês 1000 meticais. De acordo com a sua explicação, ela vai para casa duas vezes por mês levando na carteira três a cinco mil meticais e uma série de alimentos. No quarto desta rapariga testemunhámos diversos produtos que esperavam rumar para o Zimbabwe. “Procurámos a todo o custo poupar nas despesas de alojamento e alimentação para termos dinheiro para comprar produtos que são difíceis de arranjar. Sobre a necessidade do uso do preservativo durante o acto sexual, a jovem lamenta o facto de ainda existirem homens que resistem ao uso deste instrumento de protecção das doenças sexualmente transmissíveis.

 

Autora : Joana Macie

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publicado às 16:37

BURLA NAS ATMs

por idealrevista, em 01.01.13

Vulnerabilidade das ATM dos bancos comerciais: Ladrões assaltam contas de clientes

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UMA rede de ladrões tem estado a criar transtornos aos clientes de alguns bancos comerciais que operam no país, em especial na cidade de Maputo, através do serviço de mensagens curtas (SMS), enviadas por telefones celulares.
Maputo, Terça-Feira, 23 de Outubro de 2012:: Notícias

Os larápios instruem as suas vítimas a deslocarem-se às caixas de ATM onde, seguindo instruções, acabam associando as suas contas bancárias aos números de telemóveis dos bandidos que através do “Tako Móvel” efectuam o saque, sem nenhuma dificuldade.

Os clientes do Millennium BIM e do Banco Comercial de Investimento (BCI) são as vítimas preferenciais dos ladrões, alegadamente por terem maior volume de clientes que recebem os seus salários via banco. Para os dois bancos, o teor das mensagens enviadas pelos malfeitores aos clientes é a mesma. O “Notícias” teve acesso a algumas dessas mensagens, através de cidadãos burladas e que contactaram o nosso Jornal para relatar o que está a acontecer, sobretudo no final do mês. Pelo que passa a transcrevê-las de seguida: “Millennium BIM - SMS, caro cliente, a sua conta está cativa. Queira por favor contactar o balcão através dos números 82 7163244 ou 84 3912202, gestor Sérgio Manhique”.

“BCI Ponto 24: Caro cliente a sua conta está cativa. Queira por favor contactar o balcão sede do BCI pelos números 82 0663326 ou 84 2231858, gestor Yuran Coreia”.

O mesmo indivíduo (Yuran Coreia) enviou outra mensagem com o mesmo teor através do número 82 0897310, no dia 13 de Setembro, às 12.15 horas, para um outro cliente do banco.

Ainda, “daqui é do BCI Ponto 24, caro cliente a sua conta bci está cativa. Queira por favor contactar serviços mobail Ponto 24 através dos números 82 0663326 ou 84 2231858, gestor Carlos Miranda”. O número do envio desta mensagem é 84 2128814 datada de 28 de Agosto de 2012, aliás, todas estas mensagens foram enviadas este ano. E esta foi enviada ontem: “Millennium Bim caro cliente, a sua conta está congelada. Queira por favor contactar urgente a gerência através do nº. 82 04460967/84 7032602, Gestor: Carlos Miranda”.

Uma das questões que os ladrões pedem é o número do celular pelo qual a vítima foi contactada por eles. Para concretizar os seus intentos, estes colocam várias perguntas à vítima dentre as quais: Há quanto tempo é cliente do BIM ou BCI? Quando foi a última vez que viu o seu saldo? Qual era o valor do saldo? A que distância você está da ATM? Podes ir à ATM para activarmos a sua conta? Quando chegares a ATM ligue-me para te dar instruções?

Para conseguirem informações de carácter pessoal, os larápios alegam problemas do sistema bancário e por essa razão, a solução do problema detectado na conta do cliente passa por usar uma ATM.

Com estes argumentos alguns clientes distraídos ou por falta de conhecimento do funcionamento dos bancos acabam "caindo" na armadilha dos malfeitores, transferindo valores monetários para os ladrões ou associando as suas contas bancários aos números de telefones da rede de assaltantes, para logo de imediato o dinheiro ser levantado através do sistema “Tako Móvel”. Efectuada esta operação, o número é desligado, não sendo possível depois entrar em contacto com os ditos gestores bancários.

A nossa Reportagem testemunhou há dias um episódio no balcão de Timor-Leste do Millenium Bim, na baixa da cidade de Maputo, em que um cliente desta instituição financeira entrou aflito após ter recebido uma SMS inquietante, que anunciava o congelamento da sua conta, e de seguida o aconselhava a dirigir-se a uma ATM. Todavia, mais não fez se não deslocar-se ao seu balcão, para pedir esclarecimentos. Só que, do lado do banco não encontrou acolhimento adequado, pois o funcionário não se mostrou com disponibilidade para ouvir nada, limitando-se a dizer “essa mensagem não tem nada a ver com connosco”. O cliente, por sinal um idoso, visivelmente desesperado e sem qualquer informação sobre aquele caso, foi curiosamente assistido por outros clientes que também estavam naquela instituição bancária para tratar dos seus expedientes. Soubemos ainda que o referido cliente recebeu a mensagem estando na vila da Manhiça, sua terra natal, onde vive depois da reforma. Teve que viajar a Maputo, a fim de procurar saber os motivos do congelamento da sua conta, segundo a SMS que havia recebido. Só não transferiu dinheiro para os malfeitores porque não tinha cartão ATM, por qualquer razão.

Roubaram-me o salário por dois meses consecutivos

Maputo, Terça-Feira, 23 de Outubro de 2012:: Notícias
 

A. Macheque é outro cliente do Millennium Bim, reformado, que recebe a sua pensão através do Instituto de Segurança Social. A sua triste história começou no dia 16 de Junho deste ano, quando se dirigiu à ATM, do bairro 25 de Junho, na cidade de Maputo, com o objectivo de verificar se o dinheiro da sua pensão havia sido depositado. Só que infelizmente, o valor havia entrado, mas tornou a sair todo.

Consequentemente, A. Macheque dirigiu-se ao balcão para apresentar a sua preocupação. O funcionário que o atendeu recomendou-lhe a apresentar o caso ao Instituto de Segurança Social, uma vez que é pensionista. Dito e feito, ele foi para o INSS e, de lá, recomendaram-lhe que fosse à ATM no dia 22 do mesmo mês para consultar o saldo. Estranhamente, quando estava na fila da ATM na data recomendada, A. Macheque recebeu uma mensagem no seu telemóvel que dizia “caro cliente, a sua conta está cancelada, por favor contacte o número 82 1803464 para o devido descongelamento, falar com o gestor Carlos Manuel”.

O nosso interlocutor explica que uma vez que estava a tratar o assunto ligado ao desaparecimento do seu dinheiro da conta, acreditou na mensagem. Comprou uma recarga de 20 meticais para poder se comunicar com o suposto gestor da sua conta Carlos Manuel, quando estivesse na ATM, onde iria receber as devidas instruções. “De facto liguei para ele, instruiu-me e no final da operação saiu um recibo que indicava que a operação foi executada para o número 84 9515202, diferente do número do primeiro contacto. Ele disse-me para deitar fora o recebido, mas optei por conservá-lo”, explicou, adiantando que depois da operação, o homem da segurança do banco perguntou-lhe com quem estava a falar e depois de explicar que estava a dialogar com o gestor, este alertou-lhe que a sua conta tinha sido assaltada.

Preocupado, dirigiu-se mais uma vez ao balcão e desta vez o funcionário que lhe atendeu disse que este não era um caso do banco, porque o banco nunca lida com os seus clientes através de celulares. Agastado, A. Macheque dirigiu-se ao balcão da cidade da Matola, onde abriu a sua conta, e de lá foi lhe recomendado que mudasse do número do pin. Mas infelizmente, o valor da pensão do mês de Julho já havia sido todo roubado.

De novo o lesado retornou ao banco e o gerente disse que a solução passava pela mudança do cartão. “Também me disse que devia dirigir uma carta para o banco solicitando a reposição do valor saqueado e fi-lo, só que até aqui ainda não tive resposta”, lamentou.

Macheque disse que antes de remeter a carta à direcção do Bim, participou o caso à Polícia do bairro 25 de Junho e continua a aguardar pela evolução das investigações.

Entretanto, estes episódios aqui relatados são apenas uma gota de água no oceano para aquilo que está a acontecer actualmente com as contas dos clientes dos bancos comerciais. São muitas pessoas que já foram vítimas ou que já receberam SMS de ladrões, dando instruções para se dirigirem às ATM a fim de corrigir o que está errado com as suas contas.

Na tentativa de trazer esclarecimento sobre este assunto a nossa Reportagem contactou alguns bancos comerciais, sobretudo o Millennium Bim e o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), os mais visados bem como as operadoras de telefonia móvel celular, mCel e a Vodacom. Destas instituições, apenas a Vodacom não se mostrou disposto a colaborar.

BCI avisa: o pin é secreto

Maputo, Terça-Feira, 23 de Outubro de 2012:: Notícias
 

A primeira advertência que os bancos fazem é que o pin é intransmissível, não se passa nem ao funcionário do banco. Segundo o BCI, na entrevista concedida ao “Notícias”, foi exactamente por reconhecer a onda de roubos protagonizados por gente de má-fé, que a instituição tem estado a desenvolver acções para travar o mal.

“O que nós podemos aconselhar ao cliente é que ninguém deve dar seus dados pessoais referentes ao banco a qualquer pessoa que seja, nem por telefone nem por correio electrónico, ou por SMS”.

De acordo com o representante daquela instituição bancária, ligado à caixa electrónica, é necessário prestar atenção em todos os processos bancários, desde a abertura de conta até à entrega do cartão electrónico, pois estão lá as instruções e as medidas de segurança que o cliente deve observar. “O banco não pede a ninguém, por SMS para tratar qualquer que seja o assunto”, explicou.

A fonte do BCI salientou que este tipo de fraudes não é novo no mundo e, muitas vezes os ladrões fazem-se passar por pessoas que querem ajudar, pedindo informações confidenciais. “O que podemos dizer é que as pessoas devem aprender a desconfiar e sempre que receberem uma mensagem ou chamada telefónica sobre o banco, dirigir-se ao balcão, antes de efectuar qualquer operação”, apelou.

Quanto à clonagem de cartões, outro fenómeno que está já a preocupar os clientes, o BCI tranquiliza, afirmando que se trata de um fenómeno que ainda não é muito vulgar em Moçambique e como medidas para evitar que se torne comum, a instituição vai introduzir novos cartões electrónicos ainda este ano.

Sobre a responsabilidade do banco em relação aos roubos, o nosso entrevistado disse que cabe às instituições bancárias informar e divulgar em todos os canais de comunicação os cuidados que os clientes devem ter para não serem enganados por ladrões. Mas deixou claro que as pessoas também têm responsabilidade pela sua propriedade.

Jamais o Bim contactará seus clientes por SMS

Maputo, Terça-Feira, 23 de Outubro de 2012:: Notícias
 

Já o Millennium Bim, através do seu Gabinete de Comunicação e Imagem, explicou que quanto à clonagem de cartões, não se têm verificado registos frequentes, mas reconhece que as tentativas de saques fraudulentos de dinheiro das contas dos clientes têm uma frequência maior.

Segundo a fonte, o Millennium Bim tem vindo a investir massivamente em componentes de segurança na área dos meios de pagamento electrónicos, das quais se destaca a implementação dos mais seguros standards internacionais em termos de cartões, a disponibilização de informação on-line via SMS sobre compras feitas pelos clientes, a filtragem de transacções potencialmente fraudulentas e, acima de tudo, o investimento permanente na informação aos clientes sobre os cuidados a terem na gestão diária dos seus meios de pagamento disponibilizados pelo banco.

Adianta o Gabinete de Comunicação e Imagem que para além de todos os investimentos em sistemas e meios já descritos, é opinião do Millennium Bim que o investimento mais relevante é no conhecimento, por parte dos clientes sobre os cuidados a terem na utilização dos seus cartões e outros meios de pagamento. “É importante ter presente que o banco nunca toma a iniciativa de contactar os seus clientes por email, SMS ou qualquer outro meio, no sentido de confirmar códigos de segurança que são absolutamente pessoais e intransmissíveis. Jamais o banco também contacta os clientes no sentido de os informar que as suas contas se encontram bloqueadas ou congeladas. Qualquer mensagem nesse sentido deverá sempre ser entendida pelos clientes como uma tentativa de fraude ou burla”.

O Millennium Bim chama também atenção aos seus clientes no sentido de terem cuidado especial com os seus cartões, respectivos pin’s e todos os demais códigos de acesso a meios disponibilizados pelo banco para efectuarem pagamentos, como é por exemplo a internet banking, o canal de SMS e ainda o serviço de banca telefónica.

Lembra ainda que tais códigos nunca deverão ser partilhados com terceiros, mesmo que estes se façam passar por pessoas ligadas ao banco. “Qualquer mensagem de SMS, de correio e-mail ou telefonema efectuado por iniciativa de alguém que se apresente como funcionário do Millennium Bim, com o objectivo de obter, directa ou indirectamente, códigos de acesso pessoais de clientes revestirá, sempre, uma tentativa de fraude ou burla”, advertiu acrescentando que essas SMS devem ser ignoradas, pura e simplesmente.

mCel e PRM coordenam esforços contra ladrões

Maputo, Terça-Feira, 23 de Outubro de 2012:: Notícias
 

Por sua vez, a operadora de telefonia móvel celular mCel contactada pela nossa Reportagem, também aconselhou os seus clientes e aos cidadãos, em geral, a desconfiar sempre que receberem mensagens com conteúdos duvidosos. Há alguns sinais que podem despertar que se está perante uma burla ou não por exemplo: “Se as mensagens ou chamadas aparentam estar relacionadas com a sua conta bancária, o aconselhável é antes de qualquer acção, contactar o seu gestor de conta para esclarecer as eventuais dúvidas ou suspeitas que tiver. Também quando receber uma mensagem relacionada com prémios da mCel, é preciso contactar a operadora. De referir que os concursos da mCel são publicitados pelos órgãos de Informação e na página da internet da empresa, para além de que se pode confirmar a veracidade da informação, através das lojas ou linha do cliente da empresa”.

A mCel que prestou estas declarações através da agência que lhe assessora, na área da comunicação e imagem, aconselha também aos seus clientes que ao se aperceberem que estão perante uma burla, devem apresentar queixa às autoridades competentes e esperar que a mCel, enquanto operadora, ajude no processo de investigação.

Adianta a agência que no prosseguimento destas investigações a instituição tem, por diversas vezes, desactivado números envolvidos em fraudes, sempre que se comprove tal ocorrência.

A uma pergunta sobre que tipo de dificuldades existem por parte da operadora (mCel) de identificar os burladores, tendo em conta que o registo de cartão inicial é obrigatório, explicou que apesar de existirem muitos clientes registados, ainda há casos daqueles que não efectuaram o registo. E é nestes últimos que aparecem alguns que utilizam o telefone para praticar fraudes.

A instituição assegurou que tem trabalhado com a Polícia para localizar os infractores. “Adicionalmente, temos estado a desenvolver campanhas a nível da Imprensa, por intermédio de anúncios publicitários, de modo a incentivar a que os clientes façam o registo dos seus números”.

Como medidas para proteger seus clientes, a mCel reduziu o número de acessos a determinadas operações, nas lojas, para o qual se exige a presença do titular do número de telefone.

  • Joana Macie

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publicado às 22:22



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