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CIDADE DE TETE, VENDA DE SEXO - DEGRADAÇÃO MORAL A OLHOS DE TODOS

por idealrevista, em 04.01.13

CIDADE DE TETE Degradação moral a olhos de todos Numa das minhas visitas de trabalho de reportagem, desta vez na cidade de Tete, centro de Mocambique, visitei o Mercado Kwatchena Kunhartanda, à procura das trabalhadoras de sexo zimbabweanas, com as quais havia agendado no dia anterior uma entrevista sobre a sua actividade. Enquanto vasculhávamos os “becos” do mercado, (eu e o repórter fotográfico) ouvia-se nas proximidades uma voz masculina que num tom alto convidava uma das jovens zimbabweanas para o interior da casa para cumprir mais uma jornada. Naquele lugar instalou-se uma pequena confusão, porque a jovem tentava explicar sem sucessos que não podia satisfazer a solicitação do seu cliente, pelo menos naquele instante, porque estava à espera de uma visita para a entrevista (referia-se a nós). “Judith, quero agora porque vou te pagar”. É assim que a nossa equipa de Reportagem se apercebeu que estava perante “um mundo, onde não há mais moralidade. Aliás, este tem sido o dia-a-dia da Judith Nkoma e suas companheiras, todas elas zimbabweanas, cujo número tende a crescer no nosso país, como consequência da crise económica que se vive no Zimbabwe, onde a economia é actualmente uma das mais devastadas do mundo, com uma situacao políotica nao definida e sem apoios externos. No Mercado Kwatchena Kunhartanda assiste-se a cenas indecentes, uma degradação moral a olhos de todos. Trata-se de um mercado localizado a escassos metros da cidade de Tete. É um local bastante frequentado pelos locais e hóspedes que ali procuram todo o tipo de produtos tipicos da regiao, incluindo carne e peixe. Também vende-se todo o tipo de bebidas alcoólicas, desde as convencionais até as caseiras. No interior do mercado estão instalados quartos improvisados cheirando a mofo. São quartos pequenos nos quais cabe apenas uma cama solteira. Por incrível que pareça dormem em cada quartinho cinco raparigas, incluindo trouxas de cada uma. Só naquele mercado estão acima de 100 trabalhadoras do sexo zimbabweanas, de idades que variam entre 16 e 40 anos. Kwatchena é um local frequentado também por crianças, algumas envolvidas na actividade comercial, sozinhas ou na companhia dos seus pais. Outras estão ali para se divertirem, uma vez que moram nos arredores do mercado. Estas crianças são forçadas a assistir a actos indecentes, praticados por homens e mulheres que ignoram apelos vindos de todos os cantos sobre o perigo que aquele tipo de actividade oferece, no que respeita à transmissão do HIV/SIDA. As principais artérias da cidade, mercados e barracas são outros lugares preferenciais das zimbabweanas que perfilam a partir das 16.00 horas até a madrugada do dia seguinte, à espera dos potenciais clientes. Em conversa com a nossa equipa de Reportagem, as trabalhadoras do sexo revelaram que optaram por Moçambique e em especial a cidade de Tete por ser um corredor de desenvolvimento, onde passam camiões para Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e para outros pontos do país. Também pesou para esta escolha, o facto desta cidade ser nos últimos dias centro de convergência de cidadãos de todos os pontos do país e de outras nacionalidades. Mas também a cidade ou a província de Tete tem estado a concentrar as atenções de todos nos últimos anos, devido a instalação das grandes indústrias mineiras, que concentram estrangeiros de diferentes nacionalidades. Judith, Joice, Jaqueline, Gina e Celina foram as nossas entrevistadas, que contaram naturalmente as suas experiências nesta actividade. Deste grupo algumas estão em Moçambique há 8 meses e outras há anos. Confidenciaram-nos que têm ido para casa pelo menos uma vez em cada mês, para deixar comida e dinheiro para os seus pais, filhos, avós e irmãos. Estas raparigas e senhoras contam que ganham por dia 300 a 500 meticais. Deste valor tiram diariamente 75 meticais para pagar o aluguer do quarto e outro valor que é destinado a despesas diárias pessoais. Revelaram que antes de vir a Moçambique tentaram se fixar no Malawi, mas desistiram quando uma das companheiras que já exercia a sua actividade na cidade de Tete lhes informou que “que cá há muito dinheiro. Malawi não tem negócio, basta dizer que ganhávamos por cada acto sexual 150 kwachas, o equivalente a 5 meticais”, explicaram, acrescentando que o outro motivo que lhes fez abandonar Malawi é que há muitos religiosos, indivíduos que estão contra este tipo de actividade. Este grupo nunca esteve na capital moçambicana e nem ambiciona lá estar. As razões por elas apresentadas residem no facto de Maputo se localizar muito distante da fronteira com o seu país. “Também sabemos que como capital há muita concorrência, enquanto que aqui na cidade de Tete temos muito espaço” . As entrevistadas contam que rezam noite e dia para que a situação económica e política caminhe para o melhor no seu país. “Estamos aqui feitas malucas porque o nosso país está a atravessar momentos difíceis, as pessoas não têm emprego e não têm comida”. Com quase um terço de adultos infectados pelo vírus da SIDA, os hospitais públicos esgotam muitas vezes as suas reservas de medicamentos básicos, como os analgésicos, por exemplo. Os meus pais não devem saber Joyce Kamwanda tem 25 anos de idade e é natural de Mutare, a quarta maior cidade do Zimbabwe. A sua história é bem diferente com a de Judith. Esta é filha de um casal religioso da congregação presbiteriana e confessa que os seus progenitores não sabem que ela está nesta actividade. “Os meus pais são pobres, mas com uma personalidade que admiro. Eles não podem saber que sou prostituta, pensam que estou a trabalhar numa loja. Se souberem disto me matam, será um escândalo na minha família”, adianta, revelando que na sua casa há muita pobreza, razão porque não conseguiu se formar. A história da Joyce não difere da de outras raparigas que também estão em Moçambique a procura de melhores condições de vida, prostituindo-se. A jovem conta ainda que não faz sexo por prazer, apenas por dinheiro e confessa que no dia em que encontrar o amor da sua vida, com mínimas condições de vida não vai pensar duas vezes para largar esta actividade. Diz que apesar de pagarem bem, os homens moçambicanos são violentos e sujeitam as raparigas a vários tipos de sevícias e humilhações. Segundo explicou, os clientes fluem nas sextas e sábados. Contrariamente às suas companheiras que moram no Mercado Kwadjena, Joyce alugou uma dependência no centro da cidade de Tete, pagando por mês 1000 meticais. De acordo com a sua explicação, ela vai para casa duas vezes por mês levando na carteira três a cinco mil meticais e uma série de alimentos. No quarto desta rapariga testemunhámos diversos produtos que esperavam rumar para o Zimbabwe. “Procurámos a todo o custo poupar nas despesas de alojamento e alimentação para termos dinheiro para comprar produtos que são difíceis de arranjar. Sobre a necessidade do uso do preservativo durante o acto sexual, a jovem lamenta o facto de ainda existirem homens que resistem ao uso deste instrumento de protecção das doenças sexualmente transmissíveis.

 

Autora : Joana Macie

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publicado às 16:37


1 comentário

De Jornal NMz Moçambique a 09.01.2013 às 07:28

É uma situaçäo de lamentar, esperemos q as "trabalhadoras de sexo", consigam um dia ter uma vida condigna e estavel.

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